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PSICOPEDAGOGIA SISTÊMICA NA INSTITUIÇÃO PARA CRIANÇAS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM



Não podemos ainda esquecer da força sistêmica. O sistema tem uma força brutal. Se colocarmos uma criança mais frágil num sistema onde ela vai ser engolida, isso não pode ser bom em hipótese alguma, ela não tem recursos para lidar com este sistema, ela não pode fazer frente à força desse sistema
Como você está vendo o trabalho Psicopedagógico atualmente?
A psicopedagogia está ganhando um espaço muito grande, muito forte e muito bom. Contamos com bons cursos de especialização, consistentes, abarcando uma base teórica ampla. Esses cursos também contemplam a formação clínica, com prática e supervisão. Assim, o profissional adquire condições de desenvolver um trabalho de excelência.
Ao mesmo tempo, noto nas escolas, nas empresas e nas clínicas um espaço aberto para o psicopedagogo. Tenho conhecimento de empresas, que operam na área de RH, solicitando psicopedagogos para o corpo de profissionais.
A psicopedagogia vem se consolidando como área de conhecimento, como área de atuação, trabalhando interdisciplinarmente e fazendo as pessoas compreenderem que aprender não é algo necessariamente ligado ao ensino sistematizado, à escola. "Aprender é algo que se faz o tempo todo, durante toda a vida. Depois que deixamos de fazer as coisas por reflexos, tudo o que fazemos demanda aprendizagem. Aprendemos nas empresas, aprendemos nas instituições, aprendemos nas escolas, aprendemos com as famílias e nas famílias", o que amplia muito o campo do psicopedagogo.
O psicopedagogo nas empresas já é uma realidade?
Tenho notícias de que isso é uma realidade. O profissional integrando equipes multidisciplinares, dentro de empresas, na área de relações humanas, trabalhando com as questões relacionais, com as questões da organização que aprende, com a visão compartilhada. Para as culturas orientais, aprender significa estudar e praticar constantemente. Creio ser este o espírito das organizações que pretendem atingir grandes mudanças .
Atualmente estou lendo um livro muito interessante chamado "A Quinta Disciplina", que foi escrito por um Administrador (Senge, P.M., Ed. Best Seller, 1999), e tem por base o pensamento sistêmico. Ele afirma a questão da necessidade da aprendizagem das e nas relações: um profissional não pode só conhecer ou dominar o seu campo de trabalho. Ele precisa conhecer como se processam as relações, ter um razoável domínio pessoal, ter uma visão compartilhada e promover a aprendizagem em equipe. Creio que são requisitos plenamente tangíveis para um psicopedagogo, tendo em vista a pluralidade de sua formação.
Você tem duas publicações na área da psicopedagogia, do que elas tratam?
O primeiro livro é a minha monografia, apresentada como exigência para a conclusão do curso de especialização em Psicopedagogia, para a PUC-SP. Foi publicada pela Editora Lemos e chama-se "Ensinando a Ensinar". Ele traz um pouco da minha experiência adquirida em uma escola, que atende crianças com dificuldades de aprendizagem. Foi um trabalho desenvolvido com uma equipe de professores, com o objetivo de estimular as reflexões sobre o trabalho com estes alunos. É um livro com suporte teórico voltado para a psicanálise. No primeiro capítulo, falo um pouco sobre o "autorizar-se a ensinar", utilizando o conceito bioniano (W.Bion) de autoridade interna. Em outro capítulo do livro volto-me "a quem se ensina ?"; qual o objetivo de entender melhor este aluno com qual vou trabalhar, através do olhar da psicologia genética e da psicanálise.
No terceiro capítulo, proponho uma Psicopedagogia sistêmica, com o intuito de observar que os processos educacionais, que envolvem os sujeitos dentro de uma escola, estão inter-relacionados e se influenciam mutuamente. Ao perceber a escola como sistema, deixamos de colocar o foco no aluno com dificuldade e o redestribuimos por todos os subsistemas envolvidos.
No segundo livro "Psicopedagogia: um Enfoque Sistêmico - Terapia Familiar nas Dificuldades de Aprendizagem" da editora Empório do Livro, fui a organizadora. Escrevo com outras quatro psicopedagogas e terapeutas familiares.
Pretendemos falar um pouco sobre a dificuldade de aprendizagem iluminada pelas teorias da Terapia Familiar Sistêmica. As autoras propõe uma articulação entre a teoria sistêmica que embasa a terapia familiar e os pressupostos teóricos da Psicopedagogia.
No primeiro capítulo é dada uma noção geral do que é a Teoria Sistêmica, Cibernética de Primeira Ordem, Cibernética de Segunda Ordem, trazendo um aporte teórico para o leitor que não é da área. Nos outros capítulos, por intermédio de atendimentos clínicos, vamos tentando estabelecer relações entre o atendimento familiar e o psicopedagógico. A preocupação das autoras é a de estar mostrando a importância da família, da escola, do contexto social, das redes mais amplas, para o entendimento da dificuldade de aprendizagem.
Qual a vantagem do Enfoque Sistêmico no olhar psicopedagógico? 
Penso que para melhor compreendermos as questões da aprendizagem, elas devem ser consideradas sistemicamente. O que vem a ser isso? A escola, a família do aluno, ele próprio, os professores, são todos integrantes de um sistema que formam uma unidade e tendem para a manutenção de um equilíbrio. Ao olharmos esses subsistemas de forma circular estaremos nos responsabilizando, e a todos os envolvidos, nos processos de aprendizagem e nas possíveis rupturas que possam aí surgir.
Dentro da minha experiência, trabalhando com alunos com a queixa de dificuldade de aprendizagem, pude perceber que embora essa possa ser uma condição ligada a múltiplos fatores internos do sujeito, ela está sobremaneira sustentada pelo meio familiar, escolar, social, no qual o sujeito está inserido.
A circularidade, enquanto propriedade dos sistemas, evita que sejamos presos pela cômoda possibilidade de eleger uma única causa para o problema.
E quanto à Instituição, o que o olhar Sistêmico propicia?
Tão importante quanto ter um modelo é perceber que ele não passa de uma metáfora. Assim, quando se fala em olhar sistêmico na Instituição isso é apenas um recurso que nos auxilia a ordenação de uma realidade complexa, possibilitando definições operacionais, lógicas e pragmáticas.
O que este modelo nos permite é perceber como as questões do aprender e do saber operam de uma forma relacional e circular. Tanto quem aprende como quem ensina, estão ambos implicados e mutuamente responsáveis pelos/nos resultados. Colocar tanto o ensinante quanto o aprendente, quanto às famílias de ambos, assim como os terapeutas envolvidos neste processo, a escola, o próprio contexto social, implicados e co - responsáveis pela mesma situação. Desta forma tiramos o foco da criança, deixamos de olha-la como bode expiatório, e redistribuímos o sintoma (no caso, as dificuldades de aprendizagem), por todos os envolvidos.
Na Escola Winnicott, como funciona isso na prática?
Em nosso trabalho, pretendemos por na prática esses ensinamentos, dentre outros expedientes, através da formação de redes de apoio.
Trabalhamos a pessoa do professor, a família deste professor (não no sentido de trazer a família deste profissional para dentro da escola, mas sim, quais os mandatos, valores e crenças, quais os mitos que permeiam a família do professor, inclusive o que o levou a escolher essa profissão, que sentido na sua história de vida faz com que apareçam dificuldades com determinados alunos e facilidades com outros).
Trabalhamos com os terapeutas que atendem nossos alunos. Trabalhamos com as famílias dos alunos, através de palestras, encontros, orientações.
Enquanto direção e coordenação, estamos igualmente implicados nesta situação de aprendizagem, inseridos que estamos no mesmo sistema.
O trabalho em rede permite uma melhor apreensão do contexto, clarificando a natureza do problema e as respostas que devem ser fornecidas.
O que se propõe e se espera do profissional em uma escola com crianças com dificuldade de aprendizagem, a formação deverá ser diferenciada? 
Acredito que sim. Temos aqui no Colégio Winnicott reuniões semanais, com 2 horas de duração, onde são desenvolvidos trabalhos teóricos e práticos.
O aporte teórico visa trazer informação para os professores, uma vez que temos da 5ª série do ensino fundamental ao 3º ano do ensino médio, professores especialistas de áreas (as classes de 1ª. à 4ª série são comandadas por psicopedagogos).
Estes professores normalmente não detém um conhecimento da área da psicopedagogia, criando uma necessidade de trazer até eles, textos de psicanálise, lingüística, filosofia, pedagogia, teoria sistêmica, entre outros.
Damos ainda, especial atenção à formação da pessoa desses profissionais, desenvolvendo dinâmicas psicodramáticas, que visam favorecer seu auto-conhecimento.
A maior parte de nossos profissionais faz ou fez terapia. Considero que é uma das condições básicas para se trabalhar com alunos, sobretudo aqueles que apresentam dificuldade no aprendizado.
Quais são os problemas mais comuns encontrados na população de crianças com problemas de aprendizagem?
Quando fiz minha tese de mestrado "As dificuldades de Aprendizagem à Luz das Relações Familiares: um ensaio sistêmico" ocorreu-me fazer uma pesquisa, no colégio, acerca das " dificuldades" que mais apareciam como queixa inicial.
À primeira vista, os problemas emocionais emergiram como maioria. Depois, com um olhar mais detalhado e mais atento, pude perceber que as dificuldades se sobrepõe. Na verdade, você nunca tem uma única causa, mas um conjunto de situações que favorecem o aparecimento e a manutenção do sintoma (aqui entendido como dificuldade de aprendizagem). Na maioria das vezes, há um entrelaçamento de vários fatores (por exemplo: neurológicos, genéticos, cognitivos, familiares, sociais, escolares, etc..) que precisam ser compreendidos sistemicamente.
Esse movimento me permitiu observar o papel fundamental dos sistemas envolvidos, em especial o da família, que foi o alvo de minha pesquisa e poder concluir que seja qual for a etiologia da dificuldade de aprendizagem o apoio do sistema familiar é decisivo para a condução do processo.
Um exemplo que cito na minha dissertação: o estudo de uma criança com síndrome de X Frágil (alteração cromossômica caracterizada pela mutação do cromossoma X do par sexual XY. Atinge pessoas do sexo masculino e caracteriza entre outros por sintomas como: dificuldade para entender conceitos abstratos, depressão ou hiperatividade, traços de autismo, lentidão de raciocínio). No caso a que me refiro, a criança vem de uma família funcional, onde o pai e mãe tem muita clareza para lidar com a situação, propiciando desta forma, que a criança desenvolva seu potencial. Apesar das dificuldades próprias do quadro, outras variáveis favoráveis estavam presentes e se faziam notar, oferecendo um bom desenvolvimento para a aquisição da aprendizagem.
Estudei também o caso de um jovem, com queixa de abandono escolar em virtude de drogadicção, proveniente de uma família disfuncional (onde as funções familiares ou não são claras ou não existem. Famílias onde não existem hierarquia, fronteiras, onde filhos e pais são "iguais"). Embora ele apresentasse a capacidade cognitiva preservada, sua condição emocional não permitia que ele fizesse uso de suas competências. Assim, o fator emocional comprometia o cognitivo, o relacional, o social, que por sua vez impediam sua aprendizagem.
Novamente voltamos para questão sistêmica: as situações não devem ser analisadas isoladamente, porque na realidade, o todo não é a soma das partes.
Qual é o limite do Psicopedagogo na prática do atendimento psicopedagógico?
Aí entramos numa questão muito interessante que é a psicopedagogia como área de interseção, como um conhecimento multi e interdisciplinar.
Delimitar o campo de atuação de um profissional é antes de tudo preocupar-se com a qualidade do trabalho e a respectiva competência para executá-lo. Daí a importância da regulamentação dos cursos de especialização, dos estágios, da supervisão. Falando em limite da prática profissional, fala-se em Ética e em responsabilidade; em (re)conhecimento de seus próprios limites pessoais.
O psicopedagogo por ter uma formação pluralista pode estar apto a exercer práticas diferentes. Explicando melhor: o Psicopedagogo que é também fonoaudiólogo, pode trabalhar com os distúrbios da fala. O que é psicanalista está apto a fazer interpretações. O que é psicólogo pode fazer terapia, e assim por diante. O psicopedagogo que tenha uma formação em terapia familiar está apto a atender também a família. Cada um na sua área, tendo em comum a preocupação com a aprendizagem.
Creio que o que se pode destacar aqui é a possibilidade de se procurar parcerias e trabalhar em redes que ofereçam um atendimento adequado aos nossos clientes.
A idéia de "Rede de Apoio", no Brasil ainda é nova, mas em outras locais, como EUA e Europa, ela já é largamente utilizada. Trata-se de um conjunto de pessoas, que de maneira formal ou informal vinculam-se entre si. Ela diz respeito aos processos dessa interação social que são estabelecidos pelos indivíduos em seu cotidiano. Muitas são as redes que se pode dispor: a Igreja, a comunidade social, o clube, o sistema de saúde, profissionais de outras áreas, entre outros. Cabe a nós, saber tecer os nós de rede que beneficiem nosso trabalho e o atendimento ao nosso cliente/aluno.
Como ilustração cito um trabalho que apresentei no IV Congresso de Terapia Familiar - RJ, cujo tema era: Flexibilizando as tramas das Lealdades Familiares: relato de um atendimento. Descrevo o caso de uma família que atendi, onde o apoio de uma rede mais ampla, no caso de uma igreja evangélica foi decisivo para o andamento do processo terapêutico. O Paciente Identificado veio com diagnóstico de psicose e naquele momento a família não dispunha de recursos internos para ajudá-lo. Era um grupo pobre de contatos, que vivia isolado e com padrões de comunicação muito empobrecidos. A partir do momento que esse rapaz começou a fazer contato com este grupo social, que foi incorporado no coro, que passou a fazer amizades, pode-se observar uma significativa mudança nos padrões relacionais dele e de todo o grupo.
Fica aqui uma sugestão desse recurso como aliado do atendimento psicopedagógico.
Quais são os danos neste tipo de família, já que temos observado o aumento desta síndrome por causa do medo e a violência na sociedade nos dias atuais? 
As trocas ficam empobrecidas. Não há investimento de novos recursos, a família se fecha em si, evitando trocas com o meio exterior. Usamos um termo emprestado da física para nomear o fenômeno: entropia
Em relação à sociedade de hoje, percebermos as famílias cada vez mais isoladas. Há sessenta anos atrás, era comum a família extensa, composta por pais, irmãos, tios, avós, morando na mesma casa ou próximos. Hoje encontramos um grande número de famílias mono-parentais, distantes de sua família de origem e com pouco apoio de redes mais amplas.
Muitas famílias estão se restringindo a suas casas, num convívio empobrecido, de parcos recursos emocionais, porque não há troca. A mãe sozinha (ou o pai) não tem amparo, não tem continência, chega um momento onde ela/ele não tem mais o que dar para os filhos, porque não recebe nada, está isolada/o da sua família de origem, está distante de amigos, está distante de um contexto social mais amplo.
Também observamos famílias, que têm uma criança diferente, comprometida por uma questão física ou emocional; estas também costumam isolar-se; fecham-se, ou por vergonha ou por dificuldade em lidar com a situação perante os amigos, perante a sociedade. Não saem com as crianças, não querem se expor. São famílias que realmente não conseguiram trabalhar o luto de ter uma criança diferente do desejado. 
Como reagem famílias de crianças que estudam em escolas "especiais"? 
Como já mencionei, percebo a necessidade de elaboração do luto por se ter um filho diferente daquele que se imaginava.
Normalmente, quando as famílias chegam para nós, percebe-se uma diferença muito interessante: as famílias que vem procurando vaga para crianças até a 4ª série, em sua maioria, ainda está naquele período em que não aceitou bem a dificuldade da criança, ainda tem a esperança de que um dia ela irá para uma escola "normal".
Existe a vergonha porque a criança precisa de uma escola diferente; eles querem ver como é " a cara dos outros alunos", aparece o preconceito.
Por outro lado, os pais do Ensino Médio (antigo Colegial), são pais com maior tranqüilidade em aceitar aquele filho diferente, já trilharam um caminho vêem a possibilidade de continuar. Percebe-se uma aceitação maior, não existe mais a questão do preconceito, na sua maioria estabeleceram um relacionamento mais amplo dentro da comunidade.
Pode-se observar uma clara analogia entre a aceitação de um filho diferente e as fases que Bowby descreveu para a aceitação do luto: sentimentos como raiva, ansiedade e medo, a família está desorganizada internamente, tendem a esconder essas crianças do mundo externo, da realidade. Depois disso vai existindo um salto qualitativo onde os pais começam a trabalhar melhor esta idéia e vão passando para uma fase de maior aceitação, de mais organização.
Temos experiências de crianças que entraram nas série inicias e ficam até o 3o ano do Ensino Médio. Assim podemos observar por muitos anos estas famílias e perceber este processo de mudança, de maneiras diferentes de se relacionar com o sujeito, com o mundo, com a comunidade. Obviamente que esta divisão que estou fazendo não é rígida e nem tenho a pretensão de generalizar. Serva apenas para efeito de elucidação.
Como você vê a questão da inclusão?
A idéia da inclusão é muito interessante. Leio muito sobre como isso é feito em outros países, como Itália e França, onde esse trabalho já é bastante conhecido.
Na prática, infelizmente a inclusão aqui no Brasil não responde tão positivamente como em outras experiências que se lê nos relatos de outras localidades.
Na minha visão, existem dois momentos bem diferentes: o primeiro é aquela tentativa de inclusão onde se coloca uma criança diferente em uma classe "normal", de crianças ditas "normais", e esse diferente fica absolutamente ilhado e isolado, muitas vezes, servindo de chacota para outras crianças, tendo sua auto-estima rechaçada pelos amigos, vivenciando uma experiência que acaba sendo muito ruim para ambos os lados.
O que se vê , com freqüência, são profissionais designados para lidar com essas turmas que não tem o devido preparo para trabalhar as diferenças, para aceitar as diferenças e portanto, para fazer uma inclusão real.
Num segundo momento podemos considerar outros casos onde existe uma inclusão mais frutífera: algumas crianças ditas "normais" interagindo com outras que apresentam alguma diferença e todas participando por exemplo de uma aula de natação, uma aula de equoterapia (terapia com o auxílio do cavalo), uma aula de música, ou seja, onde a capacidade intelectual não seja tão valorizada, tão necessária e que marque esta diferença.
Se reunirmos crianças com potenciais diferentes e exigir delas atividades onde ambas estejam em condições de dar, essa inclusão é perfeita. Como, por exemplo, no jogo de futebol que nossos alunos participam. O que é exigido é uma boa capacidade motora, o respeito às regras, aos limites e todos os benefícios que os jogos podem trazer para a aprendizagem.
Quem trabalha em uma escola que atende crianças com dificuldades de aprendizagem, sabe da preocupação de se estar reunindo num grupo, patologias e/ou necessidades extremamente diversas. É algo que temos que olhar com muita atenção, com muito critério.
Aqui no Winnicott, muitas vezes, deixamos de atender alunos que tinham o perfil da escola porque naquele momento não havia um grupo que pudesse acolhe-los bem. Não adianta colocarmos crianças com muitas diferenças entre si e não viabilizarmos um atendimento profícuo. Ainda que tenhamos a preocupação com o "individualizado", em algum momento teremos que ter um denominador comum, se não, porque é que estamos agrupando?
Falar em inclusão é muito interessante, mais uma inclusão feita com bom senso, com critério, com respeito e responsabilidade.
Não podemos ainda esquecer da força sistêmica. O sistema tem uma força brutal. Se colocarmos uma criança mais frágil num sistema onde ela vai ser engolida, isso não pode ser bom em hipótese alguma, ela não tem recursos para lidar com este sistema, ela não pode fazer frente à força desse sistema. Questiono a inclusão neste sentido.
Estamos lidando com gente, isto não é reversível, não dá para apagar e fazer de novo, é uma responsabilidade muito séria com o sujeito, com as famílias, com a comunidade, com todos os envolvidos.
Acho que há uma questão que deve ficar para nós, enquanto educadores e psicopedagogos: para que estamos fazendo essa inclusão? qual o objetivo?

Elizabeth Polity - Psicopedagoga, terapeuta familiar, Mestre em educação, doutoranda em psicologia. Diretora do Colégio Winnicott. Diretora da APTF

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