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Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade – Entrevista do Dr. Eduardo Mutarelli ao programa “Mais Você”, no dia 28 de novembro de 2011

No dia 28 de novembro de 2011 o programa “Mais Você”, da rede Globo de Televisão, realizou uma entrevista com o Dr. Eduardo Mutarelli, abordando o tema “transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH)”, no qual o médico põe em dúvida a existência dessa condição.
Em primeiro lugar, é importante lembrar que o TDAH é um transtorno reconhecido pela Organização Mundial de Saúde – órgão internacional máximo nas questões relativas à saúde pública, e incluído na Classificação Internacional das Doenças (CID-10) e pela Associação Americana de Psiquiatria através do Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-IV).
Existem milhares de artigos científicos publicados em revistas indexadas abordando e comprovando a sua existência, inclusive com participação de centros de pesquisa de excelência como o National Institute of Mental Health dos Estados Unidos. Será que todos os médicos e pesquisadores envolvidos na publicação desses artigos criaram essa entidade que, com diferentes denominações, é reconhecida pela comunidade médica há mais de um século?
Se algum colega têm evidências ou opiniões que divergem do consenso científico atual, deveria procurar meios mais adequados para discutí-los como, por exemplo, a publicação de sua opinião em um periódico científico indexado e respeitado. Acreditamos que, além disso, a produção do programa desrespeitou a classe médica, os pacientes e seus familiares, ao fazer um jornalista se passar por doente, incentivando o comportamento de mentir e enganar o médico, apenas com intuito de demonstrar que os transtornos mentais são diagnosticados baseando-se em um conjunto de dados clínicos, ou seja, não existem exames complementares capazes de comprová-los. Acontece que isso ocorre não somente com o TDAH, mas com todos os transtornos psíquicos, como por exemplo depressão, transtornos de ansiedade, transtornos fóbicos, etc. O diagnóstico é clínico.
O médico entrevistado se posiciona contrário ao uso do medicamento devido ao fato de que os critérios utilizados para o diagnóstico serem frequentemente encontrados na população. De acordo com esse raciocínio, indivíduos com depressão também não deveriam tomar antidepressivos, haja vista que tristeza também é um sintoma muito comum. Mais uma vez perdeu-se uma oportunidade importante de esclarecer o público leigo, com relação ao fato desses diagnósticos serem feitos com a premissa básica de sua intensidade, ou seja, baseando-se no impacto na vida dos acometidos.
Todos os médicos sabem que os tratamentos medicamentosos podem ter efeitos indesejáveis e por isso pesam benefícios e malefícios em cada caso, mas incentivar familiares a não utilizarem medicamentos prescritos por médicos é uma atitude irresponsável de profissionais que trabalham num dos principais veículos de comunicação do nosso país. Essa atitude poderá trazer graves prejuízos a diversos pacientes. Os profissionais do programa “Mais Você” deveriam ter a preocupação de informar a população de modo mais adequado, sem criar sensacionalismo. Se existe excesso de diagnóstico ou se existe excesso de tratamento medicamentoso, isso pode e deve ser abordado de modo mais adequado. A diretoria da SBNI conclama seus associados a enviarem um e-mail para o programa “Mais Você” da Rede Globo de Televisão, externando seu pensamento. Os membros da SBNI devem contribuir para que a nossa especialidade e assuntos ligados a ela sejam respeitados.


Dr. Luiz Celso P. Vilanova
Presidente da SBNI – gestão 2012 / 2013

Fonte : http://www.sbni.com.br/blogs/1/9/parecer-da-sbni-sobre-entrevista

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