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Fonoaudiologia em Queimados de Face e Pescoço




Pelo estudo e conhecimento da fisiologia das estruturas anatômico-funcionais bucais, a Fonoaudiologia, especificamente a Motricidade Oral, se insere nas equipes interdisciplinares, com bons resultados no tratamento de pacientes com seqüelas das estruturas bucais e do sistema estomatognático.
A Clínica Fonoaudiológica vem percorrendo caminhos na área hospitalar, em Clínicas Médica e Odontológica, ampliando, assim, seu horizonte de atuação e saber. A motricidade oral, por exemplo, abre espaço no estudo aprofundado do funcionamento das estruturas anatômico-funcionais que compõem o Sistema Bucal - a fisiologia. Este é um requisito básico para passarmos ao estudo das fisiopatologias das estruturas bucais descritas pela medicina e odontologia e, partindo deste estudo, verificarmos como as alterações das estruturas podem levar a possíveis desequilíbrios das funções do sistema estomatognático, campo de ação fonoaudiológica no trabalho com motricidade oral.
A área em que desenvolvemos nosso trabalho é a unidade de referência ao atendimento a pacientes queimados e com traumas de face, sendo alto o índice de ocorrências diárias. Estes pacientes apresentam lesões na região de cabeça e pescoço, levando a alterações estruturais que podem estar interferindo na realização de algumas funções do sistema estomatognático.
Baseado no estudo fisiopatológico, pretendemos descrever a atuação da prática fonoaudiológica hospitalar, primeiramente num recorte da área médica com pacientes queimados e, posteriormente, da área odontológica, mais especificamente da buco-maxilo-facial, com pacientes que sofreram traumas de face, buscando, num trabalho interdisciplinar, colaborar na sua reabilitação e constituir campo de ação Fonoaudiológica.


A queimadura


Na queimadura, a retração tecidual da face causa severos danos ao tecido e verificamos, por meio de observações e avaliações contínuas, que as funções do sistema estomatognático estavam presentes, porém reduzidas e, conseqüentemente, a mímica facial. Na fisiopatologia das queimaduras, Gomes (1997) considera o aumento da permeabilidade capilar e o edema como as maiores e fundamentais ocorrências.
A dor é intensa e perdura até à morte das terminações nervosas. E só desaparece com a formação da escara seca, retornando quando esta é eliminada. O controle da dor é a preocupação fundamental no tratamento inicial do paciente queimado, pois é uma de suas primeiras queixas. A infecção é uma preocupação preliminar nos cuidados especiais do paciente queimado, pela própria condição da lesão, uma "porta aberta" a vírus e bactérias
O processo de cicatrização é contínuo, de 6 semanas a 2 anos, até que a pele esteja madura, com vascularidade da ferida normal, não havendo mais deposição de colágeno. O uso de malha compressiva é indicado logo após a eliminação de áreas cruentas e é comprovadamente, pela prática, um eficaz mecanismo de combate à cicatrização patológica.


A atuação fonoaudiológica


Ao observarmos pacientes queimados de face e pescoço, constatamos que a retração tecidual e mesmo a perda de tecido causam limitação das expressões e sensações transmitidas pela face, promovendo um aspecto mumificado, levando à redução das funções das estruturas anatômicas musculares desta região, influenciando, conseqüentemente, as atividades das funções do sistema estomatognático.
Observamos em pacientes queimados de face e pescoço:
* Ineficiência estomatognática,
* Redução da função das estruturas anatômicas musculares do sistema bucal,
* Limitação das sensações e expressões faciais.
Usamos os feixes musculares, que, nas queimaduras de face, conservam suas atividades pela integridade anatômico-funcional, e, por meio do desenvolvimento de manobras específicas, promovem o aumento do trabalho das funções do sistema estomatognático que se encontram ineficientes, assim como das expressões de mímicas facial as quais estão reduzidas.
Constatamos que as manobras de digito-compressão e alongamento de feixes musculares colaboram para o aumento significativo da abertura bucal e propiciam condições para eficiência das funções do sistema estomatognático. Além destes aspectos, pudemos observar a contribuição da Fonoaudiologia nos processos de cicatrização, pois, segundo os médicos cirurgiões plásticos, reduzimos o tempo de indicação cirúrgica quando, pela atuação indireta ou direta no tecido lesado, por meio das manobras nos feixes musculares, atuamos na cicatriz, tornando-a mais próxima do quadro clínico médico proposto para o pré-cirúrgico.


Fraturas de face


As fraturas são classificadas de acordo com o local e dividem-se em:
* fraturas faciais: simples, compostas, cominutivas, em vara verde, com perda de fragmentos ósseos, grande quantidade de tecido mole.
* fraturas de mandíbula: subdivididas de acordo com a direção e prognóstico buco-maxilo-facial, severidade, localização
* fraturas em apófise condilar:
* fraturas de maxila
Estes pacientes apresentam dor constante e devemos nos preocupar com seu limiar. No caso das fraturas de face, devido à imobilização, há redução dos movimentos dos músculos faciais, com redução também de abertura bucal e das atividades das funções do sistema estomatognático. Percebemos o desenvolvimento de contraturas dos grupos de músculos faciais e mastigatórios por meio de palpação e pela manutenção contínua do tônus, em decorrência da incapacidade dos processos metabólicos e contráteis das fibras musculares continuarem proporcionando o mesmo trabalho. A contratura muscular é uma condição hipertônica involuntária induzida pelo Sistema Nervoso Central (SNC). Assim, a contratura dos músculos da mastigação é uma reação normal a qualquer mudança no sistema mastigatório.
No caso da maxila, se a fratura for no arco do osso zigomático, devemos esperar a estabilização total da redução óssea para depois trabalharmos a atividade muscular passivas ou ativas. Com relação às fraturas de mandíbula temos:
* Fraturas horizontais favoráveis à atuação fonoaudiológica
* Fraturas horizontal desfavoráveis à atuação fonoaudiológica
* Fraturas verticais favoráveis à atuação fonoaudiológica
* Fraturas verticais desfavoráveis à atuação fonoaudiologica
Quando a fratura é unilateral, existe grande influência estabilizadora por parte do lado sadio. Segundo Martins (1993), a presença de maior massa muscular em torno da região do ramo proporciona maior proteção contra significativos deslocamentos de fragmentos na fratura desta região. Uma situação em que a ação muscular faz-se sentir notadamente é a fratura bilateral nas altura dos caninos. Em fraturas de mandíbulas, desenvolvemos manobras para o fortalecimento dos músculos mastigatórios aumentando a tensão e a massa muscular , a fim de proteger mais significativamente as fraturas.
A atuação fonoaudiológica nos casos de traumas de face devem respeitar o tempo de estabilização da fratura e colaborar para o restabelecimento do equilíbrio funcional da atividade muscular por meio de manobras internas, alongamento dos feixes mastigatórios ou faciais, dependendo da fratura, no sentido origem-inserção e de inserção-origem, se queremos desenvolver a atividade de um grupo muscular específico.
Após a introdução da atuação fonoaudiológica em pacientes com traumas de face clínica, constatamos, na clínica buco-maxilo-facial , que colaboramos para a recuperação do equilíbrio das funções do sistema estomatognático, antecipando a alta odontológica e a retomada dos movimentos da mímica facial.


Conclusão


A Fonoaudiologia, como um lugar de pensar o sofrimento humano, no que tange a destruição orgânica de estruturas determinantes das atividades das funções do sistema estomatognatico, dialogando com a fisiopatologia, cria uma prática no atendimento a queimados e pacientes com traumas de face. Constatamos alguns pontos comuns às duas clinicas:
* A destruição de estruturas que interferem na eficiência das funções do sistema estomatognático, reduzindo sua atividade;
* A preocupação com a limitação na abertura da boca, tarefa difícil para a reabilitação, como citado anteriormente, esta é a área de maior concentração de feixes musculares, onde se inserem grande parte dos músculos superficiais e, conseqüentemente, uma região de acúmulo e entrelaçamento de feixes musculares com acúmulo de tarefas.
* A presença do elemento dor despertando atenção em ambas as fisiopatologias.
Apesar de estruturas anatômico-funcionais diferentes apresentarem-se lesadas nos pacientes queimados e com traumas de face, observamos que a estimulação dos feixes musculares faciais e mastigatórios por meio de manobras específicas, em ambas as patologias, levam ao equilíbrio das atividades destes feixes e das funções do sistema estomatognático.

Fonte: www.profala.com.br

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