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Implante Coclear: o famoso ouvido Biônico

Semana passada, foi amplamente noticiado que o Implante Coclear (também conhecido popularmente como “ouvido biônico”) estaria sendo finalmente realizado pelos convênios médicos.

Isso foi uma informação equivocada divulgada por uma mídia interessada em fazer “furo de reportagem” em vez de passar informações corretas. Na realidade, há bastante tempo a cirurgia de Implante Coclear é feita por planos de saúde. No entanto, em julho do ano passado, houve uma mudança no rol de coberturas obrigatórias pelos convênios da ANS que restringia a cobertura à cirurgia unilateral e impedia que algumas pessoas a fizessem (por exemplo, crianças surdas de nascença entre 6 e 18 anos).

Obviamente, muita gente não ficou satisfeita com essas regras e brigou para que os convênios fossem obrigados a voltar à lei anterior: cobertura bilateral sem restrições de idade. E foi o que aconteceu na semana passada e passam a valer a partir de 1º de janeiro de 2012

Para quem desconhece as tecnologias assistidas para deficientes auditivos, o Implante Coclear é um dos procedimentos cirúrgicos que pode recuperar – ainda que artificialmente – parte da audição inexistente ou perdida.

A descrição abaixo foi retirada de um vídeo que explica o Implante Coclear, que infelizmente, foi excluído do youtube, senão eu o divulgava aqui na coluna:

“Na audição normal, as células ciliadas do interior do ouvido (cóclea ou caracol) transmitem informações para o nervo auditivo que envia os sons para o cérebro. Na maioria dos casos de surdez, o nervo auditivo mantém suas funções, mas as células ciliadas sofrem grandes danos ou são totalmente danificadas.

Através do sistema do Implante Coclear, os sons são captados pelo microfone, passando por um microcomputador chamado processador da fala. O som é processado e convertido em informações digitais. Essas informações digitais são enviadas através de uma antena transmissora para a parte interna (inserida cirurgicamente) do sistema.

O implante transformará as informações sonoras em impulsos elétricos por meio de um feixe de eletrodos inserido no interior da cóclea (ou caracol). “Esses eletrodos estimulam diretamente o nervo auditivo, enviando as informações sonoras ao cérebro, ultrapassando a área danificada do ouvido.”

O implante coclear é formado por duas partes, uma interna e outra externa que só funcionam em conjunto. A parte interna não tem bateria que precise ser trocada, portanto, só é necessário realizar a cirurgia uma única vez. A parte externa pode ser colocada e retirada como um aparelho tradicional (ou óculos): conforme a necessidade e a conveniência do usuário. Elas se fixam uma à outra através de imã presente tanto na parte interna quanto na parte subcutânea.

A cirurgia é de porte simples e não requer mais de 48h de internação para a maioria dos casos.

O IC não é uma cura biologicamente falando, já que a pessoa só consegue ouvir através do uso das duas partes. Mas, permite que um surdo com perda profunda ouça sons que nenhum aparelho de amplificação sonora alcança.

Os resultados variam conforme o caso. Quanto menor o tempo de privação sonora, melhor a qualidade do som. Isso quer dizer que os usuários com melhor resultado são crianças implantadas até os 2 anos de idade (com grandes chances de sucesso até os 6 anos) e pessoas que acabaram de perder a audição. Isso se deve ao fato que a audição natural tem dois processos: ouvir e discriminar o que se ouviu. A parte de ouvir é auxiliada pelo Implante Coclear, mas discriminar o som é um aprendizado. Nem todo mundo consegue aprender a ouvir depois de anos e anos de privação sonora. Nem mesmo em casos de pessoas que ouviram a infância toda e ficaram 20, 30 anos sem exercitar essa área de processamento auditivo do cérebro.

Apesar dos resultados diminuírem consideravelmente com o passar do tempo, o sucesso do IC é considerado quando alguém consegue, por exemplo, falar perfeitamente ao telefone, discriminando a fala sem qualquer apoio visual.

No caso de pessoas que ficaram muito tempo em privação sonora, ainda podem ter um bom resultado, pois ouvir não se limita a compreender o que as outras pessoas dizem, mas apreciar todos os sons do mundo, sem distorções. Ouvir música instrumental, ouvir o barulho do mar, do vento, dos rios. Deliciar-se com o barulho da chuva, com o som de risadas, de aplausos…

A diferença principal entre o IC e a os aparelhos convencionais é a ausência de distorção dos sons. Como os aparelhos apenas ampliam os sons e usam a audição residual da pessoa, se a perda auditiva for desigual entre as freqüências que ela consegue ouvir, o som fica distorcido e, para muitas pessoas, incompreensível. Já no implante coclear, o som é reproduzido por igual em todas as freqüências que capta.

Não são todas as pessoas que podem fazer a cirurgia. Mas somente um médico ou fonoaudióloga especializados em Implante Coclear podem confirmar se é ou não caso de implantar.

Algumas possíveis restrições para a realização do IC são as cócleas ossificadas (comum em casos de surdez por seqüela de meningite), doenças que causam inflamações crônicas e doenças que causam dificuldades de cicatrização (por exemplo, diabetes). Além disso, a perda precisa ser severa e/ou profunda em todas as freqüências. No entanto, somente um médico pode confirmar o prognóstico positivo ou negativo.

Não se pode dizer que todas as pessoas ficaram satisfeitas com o Implante Coclear. Sempre existem aquelas que não gostaram de usar. Mas a imensa maioria gosta dos resultados sim.

Falando por mim, usuária do Implante Coclear há quase 2 anos, não apenas gosto da qualidade do som que ouço, como acho que o IC me devolveu parte da poesia da vida! Em meu blog, cada som que eu desconhecia ou não lembrava, que ouvia (ou re-ouvia) pela primeira vez através do IC era apelidado de “delícia sonora”.

Existem pessoas que são contra o IC porque acham que ele impede a língua de sinais ou coisa do tipo. Eu discordo. Usar o implante coclear não impede ninguém de aprender Líbras ou qualquer outro idioma. O IC abre possibilidades, não as fecha.

Vale lembrar que os resultados são variáveis e, na maioria dos casos, é necessário um tempo de aprendizado.

Na dúvida quanto ao procedimento, procurem sempre um centro especializado em Implante Coclear.

Beijinhos,

Lak Lobato.


Fonte:www.acessibilidadetotal.com.br

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