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Transtornos Específicos de Aprendizagem (TEA)


O QUE É TRANSTORNO ESPECÍFICO DE APRENDIZAGEM?

De acordo com o Individual with Disabilities Education Act (IDEA, EUA, 2004), o Transtorno Específico de Aprendizagem (TEA) se define por “uma alteração em um ou mais dos processos cognitivos básicos envolvidos no entendimento e / ou no uso da linguagem oral ou escrita, que pode se manifestar numa falta de habilidade para se expressar ou para compreender a fala, para ler, escrever, dominar a ortografia ou realizar cálculos matemáticos”.

Estima-se que 6 % da população mundial em idade escolar tenha um TEA. Esses transtornos persistentes manifestam-se muito cedo na vida e não são decorrentes da falta de oportunidade de aprender, mas naturalmente podem piorar se as condições de ensino forem ruins. O TEA também não decorre de deficiência intelectual nem de doenças adquiridas.

Se não houver uma intervenção planejada e de longo prazo, a defasagem de desempenho na escola aumenta com o passar dos anos, resultando em prejuízos pessoais irreparáveis, tais como: abandono escolar, transtornos psicoafetivos, inadaptação social e subemprego, para citar só alguns. Estatísticas americanas indicam que 40% dos jovens com TEA nos EUA não concluem o ensino médio e que 70% da população carcerária daquele país tem algum grau de transtorno de aprendizagem. Os TEA são classificados em subtipos, dependendo da área da aprendizagem mais afetada: transtorno de leitura, transtorno de expressão escrita, transtorno de habilidades matemáticas, transtorno não-verbal e transtorno de linguagem, entre outros. Na realidade, um indivíduo com TEA nunca será igual a outro: haverá sempre uma interação entre suas parcelas de “dificuldades” e de “aptidões” inatas e as do meio familiar, educacional e sócio-cultural em que ele está inserido, resultando numa trama única. Em muitos casos, existem associações de subtipos no mesmo indivíduo. Cerca de 40% das pessoas com dislexia também apresentam discalculia.

Apesar das especificidades individuais na manifestação de suas dificuldades, crianças e jovens com TEA compartilham o fardo do mau desempenho na escola e, com frequência, são rotulados por pais e professores como preguiçosos, pouco empenhados e incompetentes. Indivíduos com TEA e suas famílias precisam de apoio e orientação profissional para empreenderem suas jornadas.

SINTOMAS CARACTERÍSTICOS

Cada indivíduo é único. As pessoas com Transtornos Específicos de Aprendizagem também se caracterizam por sua singularidade. Elas têm talentos, motivação e capacidade de aprendizagem que são particulares, próprias de cada um deles.

A identificação de indivíduos com TEA é feita por uma equipe multidisciplinar, devido às particularidades de cada caso, o que impossibilita o diagnóstico pela apresentação de um sintoma isolado. Com essa advertência, seguem algumas das manifestações comumente indicativas de transtorno:

• É inteligente, mas não apresenta bom
desempenho acadêmico.

• Tem dificuldade para manter a atenção, parece sempre desconcentrado,
fora do ar.

• Frequentemente é rotulado de preguiçoso, burro, imaturo ou problemático.

• Perde-se com frequência e não tem noção da passagem do tempo.

• Tem melhor desempenho em testes orais do que escritos.

• Aprende melhor pela experiência prática, pela demonstração, pela observação
e com apoio visual. Pensa mais com imagens e emoções do que com sons
e palavras.

• Sente-se inferiorizado, burro, sem auto-estima; tenta esconder suas dificuldades
com subterfúgios; frustra-se com facilidade.

• Confunde letras, palavras, números, sequências e explicações verbais.

• Frequentemente tem talento para a arte, o teatro, a música e o esporte
e é bastante criativo.

• Pode contar em voz alta, mas tem dificuldade para contar objetos, para estimar
medidas, para resolver problemas matemáticos, para lidar com dinheiro
e para ver horas no relógio.

• Tem excelente memória para eventos biográficos de longo prazo, mas memória
muito ruim para sequências ou informações que não foram experimentadas.

• Seus erros e sintomas pioram dramaticamente na presença de confusão
no ambiente e quando é apressado ou submetido a stress emocional.

Extraído de Davis (2000).


TIPOS MAIS COMUNS


Dislexia

A dislexia tem origem neurobiológica e caráter permanente. Caracteriza-se pela falta de fluência da leitura e pela pouca habilidade de decodificação e pelo pouco domínio ortografia. Indivíduos com dislexia podem apresentar:

• leitura lenta e hesitante, trocas de sequências,
acréscimos, inversões e omissões de letras;

• falha na compreensão e interpretação do material
lido; • fuga de situações que envolvam leitura;

• escrita espelhada e ou lenta, com repetição de
letras, sílabas ou palavras;

• escrita rasurada, com trocas visuais, auditivas e espaciais, além de omissões,
inversões e acréscimos.


Discalculia


A discalculia tem origem neurobiológica e caráter permanente. Caracteriza-se pela dificuldade para o entendimento e pelo bloqueio ao acesso rápido a conceitos e fatos numéricos básicos. Indivíduos com discalculia podem apresentar:

• dificuldade para entender conceitos numéricos simples (tais como o local/o valor)
e para fazer uso das quatro operações;

• falta de conhecimento intuitivo sobre números (valor e relação entre os números),
dificuldade de lidar com dinheiro e de dizer as horas no relógio, imprecisa
percepção de tempo de espaço;

• problemas para aprender, evocar e ou usar fatos e procedimentos numéricos
(ex.: tabuada, divisões complexas); • mecanicismo e ausência de confiança
ao emitir respostas, mesmo as respostas estejam corretas ou que esses
alunos as tenham obtido por um método correto.

COMO LIDAR COM A SITUAÇÃO

Embora muitas crianças e jovens com TEA sejam bastante criativos e inteligentes, suas dificuldades na escola resultam em muito sofrimento. Quanto mais precoce, intensiva e especializada for a natureza da intervenção que receberem, melhores serão os resultados.

Não existe receita para o tratamento dos TEA. Cada indivíduo precisa ser estudado em suas particularidades. Não obstante, já se sabe, comprovadamente, que alguns fatores contribuem para um bom resultado:

• apoio incondicional da família e da escola.

• avaliação, diagnóstico e acompanhamento
de longo prazo por equipe interdisciplinar
especializada (fonoaudiólogos, psicólogos,
psicopedagogos, educadores, médicos), com
revisão da prioridade de abordagem de cada especialidade, sempre que
necessário. É muito importante que a equipe interdisciplinar se reúna e discuta
o caso em conjunto. Não é suficiente passar em consultas isoladas com cada
um dos diversos especialistas e ouvir diagnósticos e previsões distintos.
É necessário constituir uma equipe integrada, que avalie e trate a criança
ou o jovem com TEA e compartilhe a definição de algumas metas mensuráveis
para o acompanhamento da intervenção. Em alguns casos, quando há presença
de outras condições associadas ao TEA, como o transtorno do déficit de atenção
e hiperatividade (TDAH) ou como um transtorno de ansiedade, por exemplo, pode
haver necessidade de medicação. Por isso, o acompanhamento com médico
neuropediatra ou psiquiatra é importante.

• escola que esteja disposta a realizar as adaptações acadêmicas de acordo com
o grau da dificuldade da criança ou do jovem e a trabalhar em parceria com
a equipe interdisciplinar e com a família.

• frequência a ambientes promotores de resiliência psicológica e de senso de
pertencimento. Pesquisas indicam que alunos com transtornos de aprendizagem
têm mais sucesso no ensino superior quando desenvolvem sólidas habilidades
para expressar suas vontades e ideias. Dentre as habilidades metacognitivas
importantes de serem estimuladas nos alunos com TEA, poderíamos citar:

• conhecimento da sua forma de aprendizagem;

• habilidade de articular suas necessidades de aprendizagem;

• habilidade para comunicar essas necessidades aos outros.


O PAPEL DOS PAIS

Para poder ajudar um filho(a) com TEA, os pais precisam entender a natureza de suas dificuldades. O primeiro passo é providenciar uma avaliação diagnóstica interdisciplinar e realizar uma parceria de longo prazo com uma escola disposta e com condições de buscar e testar opções alternativas para o sucesso do aluno com TEA. Além disso, os pais precisam contar com o apoio e a orientação de profissionais especialistas na área da aprendizagem para, juntos, pais, escola e profissionais, discutirem e planejarem a melhor abordagem para o desenvolvimento acadêmico, emocional e social de seu filho.

O TEA é uma condição perseverante e manifesta-se cedo na vida escolar. A busca de ajuda e o apoio para a superação dessas dificuldades têm que vir inicialmente dos pais e, quanto mais cedo, melhor.


O PAPEL DA ESCOLA

Assim que houver a suspeita de que um aluno apresenta um TEA, a escola deve pedir à família o seu encaminhamento para uma avaliação diagnóstica interdisciplinar, incentivar a adesão ao tratamento proposto e providenciar o acompanhamento do desenvolvimento acadêmico desse aluno. Esse acompanhamento precisa ser consistente e afirmativo; os professores devem ser informados sobre a natureza da dificuldade do aluno e estimulados a desenvolver estratégias pedagógicas diferenciadas que favoreçam sua aprendizagem e que minimizem o impacto negativo de suas dificuldades no ambiente escolar. Se não houver progresso na aprendizagem da criança, será necessária uma revisão da abordagem proposta pela escola. O fato de esses alunos terem dificuldades em habilidades importantes para o domínio da leitura, escrita e cálculo não significa que não devam apresentar progressos em sua aprendizagem.

Um plano individualizado para cada ano letivo deve ser discutido entre a direção, a coordenação, os professores, os pais e os profissionais especialistas da área da aprendizagem, para garantir que o aluno tenha acesso às adaptações logo no início do ano. Sempre que possível, o aluno deve ser convidado a participar desse planejamento para que tenha conhecimento das metas que estão sendo propostas para ele a cada ano. A escola e a família são parceiras na busca de estratégias para que essa meta seja alcançada.

Os tópicos a seguir são algumas sugestões de estratégias e adaptações para alunos com TEA; naturalmente, cada caso deve ser analisado em sua individualidade, e a abordagem vai variar em função do tipo do transtorno e de sua severidade. A existência de um TEA, seu tipo e sua severidade precisam ser definidos no relatório da avaliação interdisciplinar da aprendizagem e serão monitorados no acompanhamento interdisciplinar de cada caso. Podemos afirmar, sem exagero, que todos os alunos com TEA necessitarão de adaptações pedagógicas e ou curriculares em algum momento de suas vidas acadêmicas. Alguns deles precisarão desse apoio apenas por um período de tempo; outros, até a conclusão do ensino médio ou do ensino superior; e alguns, durante toda a sua vida profissional. Devemos nos lembrar sempre de que não podemos punir um indivíduo por ter sua própria forma de aprender.

Em geral, a abordagem do TEA pela escola deve ser: preventiva, individualizada, multissensorial e sequencial.

Seguem algumas sugestões. A coordenação deve...:

• informar os professores de todas as disciplinas sobre o fato de o aluno
apresentar TEA e discutir com cada um dos educadores quais estratégias serão
empregadas.

• permitir a gravação da aula ou a participação de um tutor para ajudar a tomar
notas.

• oferecer ao aluno com TEA um tempo extra para completar as tarefas e as
avaliações. O TEA rouba o tempo das pessoas e as acomodações lhes devolvem
esse tempo.

• evitar sobrecarga da memória de trabalho, designando tarefas que estejam dentro
das habilidades dominadas.

• designar um “tutor” ou “tradutor” para acompanhar o aluno individualmente,
na escola e fora dela.

• certificar-se de que o aluno entendeu a matéria ensinada, solicitando-lhe que
explique o assunto oralmente para o professor ou tutor, em situação individual.

• permitir que o aluno acompanhe seu progresso, observando que fatos ele já
domina e quais conteúdos ainda precisam ser aprendidos.

• dar tempo extra para o aluno processar a informação.

• informar a família constantemente sobre a evolução da criança e sobre as
adaptações aplicadas e seus resultados.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Existe amparo legal constitucional para as necessidades educacionais específicas dos alunos portadores de transtornos funcionais específicos de aprendizagem, entre eles a dislexia e a discalculia. Esses transtornos também são reconhecidos e caracterizados no Dicionário de Especialidades Médicas (DSM IV) e no Código Internacional de Doenças da Organização Mundial de Saúde (CID 10 da OMS).

Fonte: www.individualmente.com.br

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