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O Ronco e a Apnéia do Sono: A Contribuição da Fonoaudiologia Brasileira para o Mundo

Resolvi postar essas matéria, devido a tantos questionamentos que me são feitos no decorrer da minha carreira profissional e do meu dia-a-dia clínico. Aqui está a matéria de uma grande profissional que desenvolve seu trabalho em Alagoas. Espero que apreciem e possam tirar suas dúvidas a respeito. Boa leitura!

Abordaremos sobre a realidade que envolve o portador de ronco e ou apnéia do sono e a grande contribuição da fonoaudiologia brasileira em seu tratamento que vem contribuindo de forma significativa com a ciência mundial.

Fga. Dra. Karinne Bandeira, Doutora em Ciências/Oncologia pela FAP-SP, especialista em Motricidade Orofacial pelo Hospital AC Camargo –SP, Diretora da Oralis, Professora da Faculdade de Fonoaudiologia da Uncisal e da Pós-Graduação da Fits.

O ronco e apnéia do sono são considerados hoje como um problema de saúde pública mundial, pois se estima que atinge 30% da população. Durante o sono normal o ar inspirado pelo nariz deve entrar e sair do nosso corpo sem a produção de ruídos ou incômodos na orofaringe e garganta (laringe). O ronco é o som gerado durante a inspiração devido ao estreitamento da via aérea superior fazendo vibrar o tecido mole que faz parte da cavidade oral e orofaringe. A apnéia é a obstrução completa da via aérea pelos tecidos moles com ausência de respiração por mais de 10 segundos provocando a falta de oxigênio no cérebro. Um roncador pode não ser um apnéico, porém um apnéico será sempre um roncador.

A origem do ronco/apnéia do sono possui diferentes causas que pode ser: hipertrofia de adenóide que favorece a presença de respiração oral dia e noite, amígdalas aumentadas, micrognatia de mandíbula e ou maxila impedindo o devido local de repouso da língua empurrando-a para trás, obesidade,mudança corporal após a menopausa para as mulheres, fraqueza muscular da cavidade oral decorrente de idade avançada entre outros fatores.Por esta razão é que o tratamento envolve diferentes profissionais dentre eles: otorrinolaringologia, neurologista, ortodontia e fonoaudiologia. As principais queixas dos roncadores e apneicos são: hipersonolência diurna, irritabilidade e estresse.

A presença de ronco, associada ou não à apnéia, leva a noites mal dormidas prejudicando a arquitetura do sono (Fase REM e Não-REM). A fragmentação do sono decorrente do ronco e da apnéia resulta em fatores de risco que podem causar graves problemas de saúde como o desenvolvimento de hipertensão, infartos, Acidente Vascular Cerebral (AVC), morte súbita durante o sono, diabetes, impotência sexual, déficit no crescimento pela não liberação do hormônio durante o sono entre outras doenças. Somem-se a isso fatores sociais e emocionais devido ao incômodo causado por quem ronca. Muitos casais referem não conseguir dormir com seu esposo ou esposa devido à presença indesejável do ronco, pois este não prejudica apenas o sono de quem sofre desse mal, mas do acompanhante também. O roncador/apneico também pode evoluir com dificuldade de memória, dificuldade de aprendizagem e de concentração pelas noites mal dormidas

A apnéia passa a preocupar quando ocorre mais de 5 vezes por hora de sono, sendo considerada neste estágio como discreta. Quando ultrapassa as 15 ocorrências é considerada moderada. Porém, quando passa dos 30 registros por hora de sono, o caso é considerado grave. Em todas as situações, o ronco incomoda e causa transtornos no convívio familiar ou pessoal.

Quando a apneia é detectada, um dos tratamentos está o uso de uma máscara durante toda a noite chamada de CPAP (Continuous Positive Airway Pressure) que auxilia na entrada de ar, ou ainda a retirada mediante cirurgia de tecidos da região do palato mole, parte posterior da boca popularmente chamado de “sino que vibra”. A grande novidade na possibilidade de tratamento está a fonoterapia miofuncional oral.

Independente dos fatores que dão origem ao surgimento do ronco e da apnéia, os músculos da cavidade oral e orofaringe evoluem com fraqueza muscular que deve ser trabalhados com a fonoaudiologia. O objetivo do tratamento é tonificar os músculos e ampliar o espaço da via aérea superior. Esse conhecimento foi adquirido através do estudo pioneiro da Fga Dra Kátia Guimarães de São Paulo e já publicado no American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine.

No referido estudo, a autora dividiu os pacientes em 2 grupos de roncadores moderados independente da causa. Um grupo fez exercício respiratório e uso de soro no nariz, e o outro grupo fez exercício de motricidade orofacial para fortalecimento muscular. Todos os pacientes foram submetidos a polissonografia e outras avaliações objetivas e numéricas. Após 3 meses foi observado que apenas o grupo que fez fonoterapia apresentou melhora significativa dos parâmetros alterados. Houve uma redução do índice de apnéia por hora de sono em 40%, mudança de grau de moderado para leve em 60% dos casos e redução da intensidade do ruído de muito alto para respiração normal.

Para os casos moderados e leves de origem exclusivamente por fraqueza muscular tem grande sucesso terapêutico com a eliminação dos sintomas. Para os casos graves, observa-se redução do número das apnéias, melhora na qualidade do sono e possivelmente redução dos parâmetros do CPAP. No entanto vale ressaltar que o sucesso do tratamento fonoaudiológico está na adesão do paciente as orientações do profissional na realização dos exercícios em casa, para que ocorra a mudança muscular desejada e assim reduza ou elimine os sintomas do ronco e apnéia.

Em Alagoas essa modalidade de tratamento vem sendo realizado por mim, na clinica da Faculdade de Fonoaudiologia da Uncisal juntamente com os alunos do curso de Fonoaudiologia e em meu consultório. A maioria dos pacientes apresenta queixas de ronco intenso, com nota 9-10 (numa escala de 0 a 10, sendo 10 pior intensidade), e já tivemos casos de em uma semana de terapia reduzir para nível 3, e outros que com 2 meses apresentou ausência dos sintomas. Lembramos que após alta fonoaudiológica se faz necessário a realização de exercício por toda a vida para a manutenção do tônus muscular, caso contrário a flacidez retornará assim como o sintoma.

É importante ressaltar que o ronco e a apnéia do sono não é brincadeira, não é engraçado. É sim um problema de saúde grave e precisa ser tratado. Se você conhece alguém oriente-o a procurar ajuda.



Fonte: http://tudoglobal.com/fonoesaude/tag/fonoaudiologia

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